O transporte de cargas no Brasil é vital para o funcionamento da economia, mas enfrenta diversos riscos que podem comprometer o andar das operações.
Desde as condições precárias das estradas até a ameaça de roubos, a atenção dos gestores de frotas deve ser constante.
Dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística) mostram que, apenas o roubo de cargas, gera prejuízos anuais superiores a R$1 bilhão. Dentre os demais problemas enfrentados, as consequências gerais são consideráveis.
Confira a seguir:
- Quais são os maiores riscos do transporte de cargas
- Como lidar com esses riscos e aumentar a segurança no transporte
- 5 passos para implementar ou melhorar a gestão de riscos da sua frota
Quais são os maiores riscos do transporte de cargas?
Precariedade da estrutura rodoviária
A malha rodoviária brasileira é responsável por mais de 60% das cargas transportadas, mas enfrenta desafios sérios de infraestrutura. Rodovias mal conservadas aumentam os custos operacionais e os riscos de acidentes.
Embora no último ano os investimentos em obras de melhorias nas rodovias, ainda há muitos trechos de asfalto esburacado, desnivelado ou até inexistente.
Para minimizar esse impacto, um planejamento detalhado de rotas, utilizando ferramentas de roteirização inteligente, pode evitar os trechos mais críticos e reduzir custos desnecessários.
Sobrecarga de veículos
A sobrecarga é um risco comum no transporte de cargas rodoviário, especialmente quando empresas tentam reduzir custos a curto prazo.
O transporte de cargas acima do limite permitido ou recomendado não apenas aumenta o risco de acidentes, mas também pode gerar multas e penalidades.
Outro problema é que a sobrecarga compromete a integridade do veículo, causando desgaste prematuro de pneus, suspensão e outros componentes essenciais.
Essa prática, além de arriscada, não gera economia no longo prazo. O gestor deve focar em otimizar a utilização da frota por meio de ferramentas digitais e análise de dados para promover melhorias sem comprometer a segurança.
Cuidados com a carga
A falta de cuidado com o tipo de carga transportada pode gerar prejuízos. Produtos mal embalados, manuseio inadequado ou a escolha incorreta do veículo podem comprometer a qualidade da mercadoria e aumentar os riscos de perdas e reclamações de clientes.
Por exemplo, produtos congelados exigem caminhões frigoríficos que garantam a temperatura ideal durante todo o trajeto.
Instrução e treinamento da equipe
A falta de capacitação dos motoristas e demais colaboradores expõe a operação a riscos de acidentes, multas e até prejuízos à imagem da empresa.
Motoristas não treinados podem adotar práticas de direção inadequadas, como excesso de velocidade ou frenagens bruscas, que aumentam o consumo de combustível, desgastam componentes e comprometem a segurança.
Invista em treinamentos regulares sobre direção defensiva, econômica e cumprimento de regulamentações. Estabeleça padrões claros de conduta e mantenha a equipe alinhada por meio de avaliações periódicas.
Custos com manutenção de veículos
Falta de manutenção preventiva aumenta os riscos de falhas mecânicas e acidentes. Além disso, peças mal ajustadas ou fora do padrão comprometem o desempenho dos veículos e elevam os custos operacionais.
Definir parâmetros e cronogramas para atividades como checklist de veículos e gestão de pneus é vital para manter os custos sob controle e a eficiência da frota alta.
Roubos de carga
O Brasil é um dos países com maior índice de roubo de cargas no mundo. Dados recentes indicam que cerca de 80% dos roubos ocorrem em trechos rodoviários de São Paulo e Rio de Janeiro. Produtos eletrônicos, medicamentos e alimentos estão entre os mais visados.
Para combater este perigo, é preciso tanto adotar sistemas de rastreamento e monitoramento em tempo real, como telemetria e geolocalização, quanto escolher horários e rotas seguras, trabalhando com escoltas em áreas de alto risco e treinando motoristas para situações de emergência.
Multas e apreensões
Infrações como excesso de peso, documentação irregular e descumprimento de normas ambientais geram multas altas e apreensões de veículos, impactando os prazos de entrega e o custo da operação.
Se o gestor de frota não tiver conhecimento de alguma das normas, ou possuir um conhecimento desatualizado, pode ser que alguma infração aconteça no percurso.
Em casos de infrações mais graves, o veículo pode até mesmo ser apreendido, o que causa problemas como atrasos na entrega da carga, estrago de mercadorias e aumento de despesas.
Como alternativa, utilize um sistema de gestão digital para monitorar a conformidade com a legislação, como o PROCONVE e o curso MOPP (Movimentação de Produtos Perigosos) para motoristas.
Como lidar com esses riscos e aumentar a segurança no transporte?
O primeiro passo é implementar um planejamento detalhado que permita identificar os riscos específicos da operação. Isso inclui mapear as rotas com maior incidência de problemas, como roubo de cargas ou condições precárias das vias, e adotar estratégias como a escolha de trajetos alternativos e horários mais seguros para o transporte.
Aproveitar de tecnologias modernas, como sistemas de telemetria e rastreamento por geolocalização, permite monitorar em tempo real a localização dos veículos, o desempenho dos motoristas e as condições da carga.
Elas também conseguem emitir alarmes automáticos e notificações podem ser configurados para alertar sobre desvios de rota ou paradas não autorizadas, aumentando o controle sobre a operação.
Outro ponto crítico para evitar e reduzir riscos do transporte de cargas é a manutenção preventiva dos veículos. Caminhões e outros veículos pesados devem passar por inspeções regulares para garantir seu pleno funcionamento.
A manutenção preventiva, aliada à checklists digitais e histórico atualizado de ordens de serviço, reduz falhas inesperadas e melhora a segurança nas estradas.
A substituição de peças desgastadas e a verificação de sistemas como freios, pneus e suspensão ajudam a reduzir os riscos de falhas mecânicas, que podem comprometer tanto a segurança quanto a eficiência do transporte.
Para as cargas mais sensíveis, como produtos de alto valor ou perigosos, pode ser necessário adotar medidas adicionais.
Por exemplo, a utilização de escoltas em áreas de risco elevado e o reforço nos protocolos de segurança, como a adoção de equipamentos especializados para transporte e manuseio.
Por fim, a análise de indicadores de desempenho é fundamental para identificar falhas e aprimorar os processos.
Acompanhando métricas como o tempo médio de entrega, custos operacionais e frequência de incidentes, o gestor pode tomar decisões mais embasadas para ajustar estratégias e garantir uma operação mais segura.
5 passos para implementar ou melhorar a gestão de riscos da sua frota
Mapeie os riscos da operação
Isso inclui desde condições das vias, como buracos e trechos perigosos, até riscos de roubo de cargas em áreas específicas. Utilize dados históricos e relatórios de ocorrências para criar um mapeamento completo.
Entenda também quais tipos de cargas transportadas exigem cuidados especiais, como produtos perigosos ou perecíveis, que podem demandar regulamentações e equipamentos específicos.
Crie políticas e protocolos de segurança
Com os riscos mapeados, estabeleça políticas claras e protocolos que padronizem a resposta a esses riscos. Isso pode incluir procedimentos para inspeção de veículos, diretrizes para evitar sobrecargas e práticas de condução defensiva.
Você pode desenvolver um guia que oriente os motoristas sobre como agir em caso de emergência, como roubo ou acidentes, e inclua treinamentos regulares para reforçar essas diretrizes.
Implemente tecnologias de monitoramento e rastreamento
Invista em sistemas de telemetria e rastreamento por GPS para monitorar a localização dos veículos e o comportamento dos motoristas em tempo real.
Sensores de carga, dispositivos de monitoramento de pneus e sistemas de controle de combustível também ajudam a prevenir falhas e a reduzir custos operacionais.
A integração desses dados em plataformas centralizadas permite uma visão completa da operação, facilitando a tomada de decisões estratégicas.
Realize manutenções preventivas e otimize a roteirização
Crie um calendário de inspeções e utilize sistemas digitais para acompanhar o histórico de cada veículo. Paralelamente, implemente a roteirização inteligente para identificar os trajetos mais seguros e econômicos.
Além de reduzir o risco de acidentes, isso contribui para economizar combustível e otimizar a utilização da frota.
Acompanhe indicadores e revise os processos regularmente
Analise métricas como a frequência de incidentes, custo por quilômetro rodado e consumo de combustível para identificar padrões e oportunidades de melhoria. Revise os processos regularmente, ajustando protocolos e incorporando novas tecnologias conforme necessário.
Ao implementar esses passos, você estará estruturando uma rotina de gestão de riscos que não apenas protege a frota e a carga, mas também aumenta a eficiência e a confiança de sua operação.
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